sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Um texto para refletirmos.


Sartre do Hamas
Texto: Diogo Mainardi, colunista da revista "Veja"
(na foto com o jornalista Mauro Wainstock, diretor do ALEF News)
"Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás". O bordão foi entoado na Holanda, durante uma passeata organizada por grupos de esquerda para protestar contra a batalha de Gaza. Dois parlamentares do Partido Socialista participaram da passeata. O antissemitismo? Foi tomado pela esquerda. Gadi Luzzato Voghera é autor de um ensaio sobre o assunto, "Antissemitismo à esquerda", da editora Einaudi. Professor da universidade de Veneza, judeu e esquerdista, ele comparou a cumplicidade da esquerda europeia com o Hamas à cumplicidade da esquerda européia com o stalinismo. Assim como os intelectuais de esquerda, no passado, se recusaram a condenar o totalitarismo de Stalin e o caráter assassino de seu regime, os intelectuais de esquerda, atualmente, acobertam o totalitarismo do Hamas e o caráter terrorista de seu regime - são os "Jean-Paul Sartre" do Hamas. O antissemitismo de esquerda é camuflado como antissionismo. Para poder colaborar abertamente com os assassinos do Hamas, os antissemitas de esquerda falsificaram a história, associando os terroristas palestinos aos grupos anticolonialistas do século passado ou ao movimento contra o apartheid na África do Sul, como se Israel fosse um império colonial ou um regime segregacionista. Pior: eles igualaram Gaza ao Gueto de Varsóvia, como se Israel fosse a monstruosidade nazista. Em nome do antissionismo, a esquerda acolheu alegremente o despotismo do Hamas, o fundamentalismo religioso, a opressão das mulheres e a retórica genocida contra os judeus.
De setembro para cá, o antissemitismo de esquerda ganhou o impulso da crise financeira internacional. De acordo com uma pesquisa realizada em sete países europeus, 31% dos entrevistados culparam os judeus pelos desastres da economia mundial. É o retorno em grande escala daquele arraigado preconceito antissemita do judeu agiota, do judeu conspirador, do judeu inescrupuloso, do judeu golpista. Agora é a vez do judeu do "subprime", do judeu dos ativos tóxicos, do judeu capitalista. Os novos "Protocolos dos Sábios do Sião" afirmam que o neoliberalismo é obra de judeus apátridas, como Bernard Madoff, e que só a esquerda pode extirpá-lo, com um vigoroso "Pogrom keynesiano" de investimentos estatais. A esquerda nem sempre foi assim. Eu, como Tristram Shandy, relato o que aconteceu antes de meu nascimento, quando ainda estava acomodado no útero materno. Passei a gravidez em um kibutz, em Israel. O kibutz Ashdot Iaakov, pertinho do mar da Galiléia, aos pés das colinas de Golan. Data: 1962. Lá estou eu, boiando no líquido amniótico. Lá está ela, minha mãe, aos 27 anos, grávida de mim, trabalhando na creche do kibutz. Lá está ele, meu pai, colhendo uvas no vale do Jordão. E lá está ele, meu irmão, aprendendo Hebraico na escola. Nenhum deles era - ou é - judeu. O que faziam em um kibutz? Experimentavam a vida comunitária, aquele ideal socializante de irmandade e de partilha dos bens. O ideal socializante, agora, é outro: "Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás".
 
 
 
Fonte:Alef News.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Fábio Kühn

O caçador de documentos


1/8/2012
  • Esta história aconteceu quando eu me preparava para redigir meu projeto de doutorado e estava numa fase de levantamento de fontes, vasculhando arquivos em diversos estados. Numa dessas investidas, dirigi-me à cidade de Laguna, em Santa Catarina, povoação das mais antigas do sul do Brasil, fundada por volta de 1684. Ali eu esperava encontrar fontes que me trouxessem alguma informação sobre a sociedade lagunense do século XVIII, o que poderia me ajudar a compreender quem eram os primeiros povoadores do Continente do Rio Grande, como a região era chamada na época, e objeto da minha futura tese.
    Em 2001, finalmente pude passar alguns dias na pacata cidade histórica catarinense, onde saí “caçando” as fontes notariais que tanto queria encontrar. Ao chegar, fiquei sabendo que o Arquivo Público Municipal tinha sido recém-inaugurado. Instalado em um casarão do século XIX, o arquivo prometia. Mas logo na primeira visita, ao revelar minhas intenções ao funcionário, ele me olhou e disparou antes que eu pudesse reagir: “Meu amigo, veja bem, nós temos aqui alguns jornais que os alunos vêm pesquisar e alguma coisa antiga do século XIX, mas não tem nada sobre o período que te interessa”. Espantado, fui embora e me sentei para tomar um café, pensando em como poderia sair dessa situação.
    No dia seguinte, fui até o Museu Anita Garibaldi, no sobrado onde funcionou a antiga Casa da Câmara. Ali obtive uma informação preciosa: um expressivo acervo documental que estava guardado no depósito do Museu tinha sido enviado para o novo Arquivo Municipal. Quase sem me despedir, fui correndo novamente até o arquivo, onde, desta vez, encontrei outro funcionário, que fumava sossegadamente em meio a uma pilha de papéis. Expliquei o que procurava, e ele me disse: “Olha, sei que chegaram umas caixas com documentos esses dias, mas confesso que não sei bem o que tem ali. Isso não foi ainda classificado e está guardado em um banheiro no fundo daquele corredor”. Perguntei se podia dar uma olhada. Meio a contragosto, ele me autorizou e que eu ficasse à vontade, pois ele tinha que dar uma saída para tomar um cafezinho...
    Sem acreditar totalmente no que estava acontecendo, resolvi aproveitar para vasculhar aquelas caixas amontoadas. Na lateral das caixas havia uma etiqueta que informava o número de cada uma e o período abrangido. Sim, eu tinha encontrado o que buscava: os inventários e testamentos do século XVIII! Originalmente estavam no arquivo do fórum de Laguna, até que fossem transferidos para o Museu, onde ficaram, durante anos, inacessíveis aos pesquisadores, debaixo de uma lona, com a intenção de preservá-los da ação do tempo. Para minha sorte, fui talvez o primeiro pesquisador a poder manuseá-los em cerca de meio século! Estava garantida a pesquisa; pude terminar meu projeto e cursar com sucesso meu doutorado, no qual um dos capítulos da tese se debruçou sobre tais fontes.
    Fábio Kühné professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  • FONTE:http://www.revistadehistoria.com.br.
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Pergaminhos a um clique

Manuscritos do Mar Morto podem ser visualizados em alta resolução na Internet

Cristina Romanelli
2/1/2013
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  •  No fim dos anos 1940, como de hábito, um pastor beduíno caminhava com seus animais pelo deserto da Judeia, em Israel. Ao entrar despretensiosamente em uma caverna, ele acabou encontrando os primeiros registros dos ‘Manuscritos do Mar Morto’ – uma série de pergaminhos de dois mil anos, com as versões mais antigas do Antigo Testamento, e que foi sendo encontrada na região nos anos seguintes.
    Essa fonte tão preciosa estava restrita a poucos pesquisadores até dezembro de 2012, mas uma boa notícia chegou com o Natal: agora mais de cinco mil imagens em alta resolução podem ser vistas no site dss.collections.imj.org.il .
    A iniciativa de digitalizar o material partiu de uma parceria entre a Autoridade de Antiguidades de Israel e da Google, aproveitando os 65 anos de descoberta dos manuscritos. A biblioteca digital foi formada ao longo de dois anos, com tecnologia desenvolvida pela NASA, e inclui imagens de negativos dos anos 1950, mil novas digitalizações e páginas interativas.
    “Apenas cinco conservadores em todo o mundo são autorizados a manejar os Manuscritos do Mar Morto”, informa Shuka Dorfman, diretor da instituição israelense.
    Agora, no entanto, qualquer pesquisador ou estudante poderá examinar em detalhes textos como o primeiro capítulo do Gênesis ou os Dez Mandamentos. Ainda que os manuscritos tenham sido escritos em línguas como aramaico e hebreu, o site fornece informações em inglês, e a visita vale pela curiosidade de ver documentos tão antigos em alta resolução.
    TEXTO PUBLICADO NA REVISTA DE HISTÓRIA.COM.BR